O Credo explicado‏

 
O Credo explicado‏
O Credo
Creio em Deus, Pai todo poderoso, Criador do Céu e da terra
(Cat 199-231)
Creio em Deus
Em primeiro lugar devemos crer que Deus existe. E o que significa este nome __ Deus? Significa precisamente Aquele que governa e cuida de todas as coisas. Tudo o que há no mundo está subordinada à sua providência. Portanto, nada tem sua origem no acaso, mas em Deus que é o único que cria a partir do nada.
"Creio em Deus" nossa profissão de fé começa com Deus, pois Ele é o "Primeiro e o Último" (Is 44,6), o Começo e o Fim de tudo. A confissão da Unicidade de Deus, que tem a sua raiz na Revelação Divina na Antiga Aliança, é inseparável da confissão da existência de Deus, e igualmente fundamental. Deus é Único: só existe um Deus: "A fé cristã confessa que há Um só Deus, por natureza, por Substância e por essência".
Crer em Deus, o Único, e amá-lo com todo o seu ser, tem conseqüências imensas para toda a nossa vida :
- Significa conhecer a grandeza e a majestade de Deus : "Deus é grande demais para que o possamos conhecer". (Jó 36,26). É por isso que Deus deve ser o "primeiro a ser servido" (Sta. Joana d" Arc).
- Significa viver em ação de graças : Se Deus é o único, tudo o que somos e tudo o que possuímos vem Dele: " Que é que possuis, que não tenhas recebido " (I Cor 4,7). " Como retribuirei ao Senhor todo o bem que me faz ?" (Sl 116,12).
- Significa conhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens: Todos eles são feitos a " imagem e semelhança de Deus" (Gn 1,26).
- Significa usar corretamente das coisas criadas: A fé no Deus Único nos leva a usar de tudo o que não é ele na medida em que isto nos aproxima dele, e a desapegar-se das coisas na medida em que nos desviam dele. (Mt 5,29-30; 16,24; 19,23-24)
- Significa confiar em Deus em qualquer circunstância, mesmo na adversidade : A oração de S. Teresa de Jesus expressa esta confiança inabalável em Deus –
Nada te perturbe/ Nada te assuste
Tudo passa
Deus alcança
Quem a Deus tem, Nada lhe falta.
Só Deus basta.
Pai todo poderoso… (Cat. 238 – 248)
A invocação de Deus como "Pai" é conhecida em muitas religiões. A divindade é muitas vezes considerada como "pai dos deuses e dos homens" . Deus é pai , mas ainda, em razão da Aliança do dom da Lei a Israel, seu "filho primogênito" (Ex 4,22).
Ao designar Deus com o nome de "Pai ", a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos:
- que Deus é origem primeira de tudo e autoridade transcendente, e
- que ao mesmo tempo é bondade e solicitude de amor para todos os seus filhos.
A linguagem da fé inspira-se assim na experiência humana dos pais (genitores), que são de certo modo os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência humana ensina também que os pais humanos são falíveis e que podem desfigurar o rosto da paternidade. Convém lembrar que Deus transcende à paternidade humana (Sl 27,10), embora seja a sua origem e medida (Ef 3,14; Is 49,15). Ninguém é pai como Deus o é. Muito particularmente ele é o " Pai dos pobres", do órfão e da viúva que estão sob sua proteção de amor . (Sl 68,6).
A encarnação do Filho de Deus revela que DEUS é o Pai eterno, e que o Filho é consubstancial a Ele, isto é, que o Filho é no Pai e com o Pai o mesmo Deus único.
Deus é o Pai todo-poderoso. Sua paternidade e seu poder iluminam-se mutuamente. As Sagradas Escrituras professam várias vezes o poder universal de Deus. Ele é chamado "o Poderoso de Jacó" (Gn 49,24; Is 1,24), o "Forte, o Valente" (Sl 24,8-10). Se Deus é todo-poderoso "no céu e na terra" (Sl 135,6), é porque os fez. Ele é o Senhor do universo, cuja ordem estabeleceu, ordem esta que lhe permanece inteiramente submissa e disponível ; Ele é o Senhor da história. Com efeito, mostra a sua onipotência paternal pela maneira que cuida das nossas necessidades (Mt 6,32). Por isso, nada é mais propício para sedimentar nossa fé e a nossa esperança do que a certeza profunda gravada no nosso coração que nada é impossível a Deus. (Lc 1,37)
"A fé católica é esta: que veneramos o único Deus na Trindade, e a Trindade na unidade, não confundindo as pessoas, nem separando a substância: pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma é a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo; mas uma só é a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, co-eterna a majestade. ( Cat.266)"
Criador do céu e da terra… (Cat. 279 – 382)
Deus é a causa universal de todas as coisas, e não só cria a forma, mas também a matéria. Por isso fez todas as coisas do nada. recitamos no Credo essa verdade: criador do céu e da terra.
Há diferença entre criar e fazer criar, é tirar do nada. Fazer, por sua vez, é produzir a partir de uma matéria pré-existente. Se Deus criou as coisas do nada, também pode refazê – las. Pode dar vista a um cego, ressuscitar um morto e fazer outros milagres. Diz a Escritura: O poder está a Vós submetido, quando quereis (Sab 12,18). Só Deus criou o universo, livre e direta. Nenhuma criatura tem o poder necessário para "criar" no sentido próprio da palavra, isto é produzir e dar o ser àquilo que não o tinha de modo algum.
O Símbolo da fé retoma estas palavras confessando Deus Pai todo -poderoso como "o Criador do céu e da terra" , "de todas as coisas visíveis e invisíveis" .
Existe um mundo sobrenatural que não podemos ver. Apenas O conhecemos por revelação divina, e mesmo assim, imperfeitamente. Sabemos que existem anjos, espíritos puros, sem corpo, que servem a Deus noite e dia, e que têm como missão o cuidado de cada um nós; há também anjos decaídos, inimigos de Deus e nossos. Temos um céu a ganhar, um inferno a evitar. Mas depois de nos revelar tudo isso, Deus poderia nos dizer : " Vocês terão muito tempo para contemplar todas estas coisas mais tarde."
Deus fez o céu e a terra para nós. Quer se trate de coisas presentes, quer de coisas futuras, diz São Paulo, " tudo é nosso". Vivemos rodeados pelas criaturas de Deus.
A profissão de fé do IV Concílio de Latrão afirma que Deus " criou conjuntamente, do nada, desde o início do tempo, ambas as criaturas, a espiritual e a corporal, isto é, os anjos e o mundo terrestre; em seguida, a criatura humana que tem algo de ambas por compor-se de espírito e de corpo" (DS 3002).
A hierarquia das criaturas é expressa pela ordem dos " seis " dias, que vai do menos ao mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas (Sl 145,9), cuida de cada uma, até mesmo os pássaros. Jesus diz: " Vós valeis mais do que muitos pássaros" (Lc 12,6 -7), ou ainda: " Um homem vale muito mais que uma ovelha" (Mt 12,12).
Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, homem e mulher Ele os criou (Gn 1,27), nesta afirmação vamos encontrar dois aspectos importante:
- Deus é o Criador do homem e o criou por amor, criando-o capaz de degustar o Bem eterno.
- Criado a imagem e semelhança de Deus por estar dotado de inteligência e vontade.
Deus criou tudo para o homem, este porém, foi criado para servir e amar a Deus e para oferecer-lhe toda a criação. O homem foi criado por Deus e para Deus. (Cat 358). Por exemplo, quando " criamos " alguma coisa , ela passa a pertencer-nos. Deus nos possui: é para Ele que existimos; fazer sua vontade é algo que deve interessar-nos muito mais do que fazer nossa própria vontade.
A criação é o fundamento de "todos os desígnios salvíficos de Deus", "o começo da história da salvação" que culmina em Cristo. Desde o início, Deus tinha em vista a glória da nova criação em Cristo (Rm 8,18 – 23).
As criaturas existem para nos ajudarem a ter Deus perto de nós, para que, através delas, pensemos como o seu Autor deve ser grande, como deve ser poderoso e possuir uma beleza mais fascinante que o pôr-do-sol. As criaturas existem também, para nos tornarmos agradecidos por sua existência e beleza.
Tudo isto é verdade acerca das criaturas terrenas de Deus. Ele fez o céu e a terra. E não é só a terra que é nossa, também o céu é nosso, isto é, existe para que gozemos de suas maravilhas. Contamos já agora com a proteção dos anjos e com as preces de Nossa Senhora e dos Santos, porque somos filhos de Deus, para que possamos deixar para trás o purgatório e encontrarmos no céu o fim para o qual fomos realmente criados, a existência que verdadeiramente satisfaz todos os anseios da nossa natureza .
Creio em Jesus Cristo, Filho Único, Nosso Senhor
Não é somente necessário crerem os cristãos que existe um só Deus, e que Ele é Criador do céu, da terra e de todas as coisas, mas também é necessário crer que Deus é Pai e que Jesus Cristo é seu verdadeiro Filho. Esse mistério não é um mito, mas uma verdade certa e comprovada pela Palavra de Deus – II Ped 1,16 – 18.
O próprio Jesus Cristo muitas vezes chama a Deus como seu Pai e, também, denominava-se Filho de Deus. Os apóstolos e os Santos Padres colocaram entre os artigos de fé que Jesus Cristo é Filho de Deus, quando definiram este artigo do Credo: … E em Jesus Cristo seu Filho, isto é, Filho de Deus.
Creio em Jesus Cristo … (Cat 422 – 440)
A transmissão da fé cristã é primeiramente o anúncio de Jesus Cristo, para levar a fé nele. Desde o começo, os primeiros discípulos ardiam de desejo para anunciar a Cristo (At 4,20), e convidavam os homens de todos os tempos a entrarem na alegria da sua comunhão com Cristo ( I Jo 1,1 – 4).
Movidos pela graça do Espírito Santo e atraídos pelo Pai, cremos e confessamos acerca de Jesus: " Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo" ( Mt 16,16).
Quando pronunciamos de uma só vez as duas palavras Jesus Cristo, não podemos dizer como se formassem uma só . Ora, quando dizemos "Jesus Cristo" , não estamos empregando um modo rebuscado de nos referirmos a Nosso Senhor, pois podíamos muito simplesmente dizer "Jesus" ou "Cristo". Também não estamos procurando distingui-lo do famoso chefe israelita que conquistou a Palestina, cujo nome era igualmente Jesus, embora habitualmente lhe chamemos Josué. Não ; quando dizemos "Jesus Cristo" não nos limitamos a nomear Nosso Senhor; mas dizemos algo acerca dEle.
Jesus quer dizer, em hebraico : "Deus salva". No momento da Anunciação, o anjo Gabriel ao conceder- lhe o nome de Jesus, exprime sua identidade e missão (Lc 1,31). Uma vez que " só Deus pode perdoar os pecados" (Mc2,7), é ele que, em Jesus seu Filho eterno feito homem, "salvará o seu povo dos pecados" (Mt 1,21). Em Jesus, portanto, Deus recapitula toda a sua história de salvação em favor dos homens.
O nome Jesus significa que o próprio nome de Deus está presente na pessoa do seu Filho (At 5,41) feito homem para a redenção universal e definitiva dos pecados. É o único nome divino que traz a salvação (Jo 3,5), e agora pode ser invocado por todos, pois se uniu a todos os homens pela Encarnação (Rm 10,6 – 13), de sorte que "não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (At 4,12).
O nome de Jesus está no cerne da oração cristã. Todas as orações liturgicas, tem na sua estrutura a seguinte frase : __ por Nosso Senhor Jesus Cristo… . Numerosos cristãos, com Sta. Joana D’Arc, morrem tendo nos lábios apenas o nome de "Jesus".
Na realidade, "Cristo" não é um nome, mas um título. E as duas palavras __ "Jesus" e "Cristo" __ são verdadeiramente o centro do credo, porque no princípio quando os Apóstolos começaram a pregar a religião cristã, essas duas palavras continham toda a essência da sua mensagem. Os Apóstolos começaram a dizer a seus amigos judeus : "Jesus é o Cristo". E os seus amigos judeus sabiam o que eles queriam dizer com essas palavras.
Cristo vem da tradução grega do termo hebraico "Messias" que quer dizer "ungido". Só se torna o nome próprio de Jesus porque este leva à perfeição a missão divina. Esse devia ser por excelência o caso do Messias que Deus enviaria e seria anunciado pelos profetas, cuja a missão seria instaurar definitivamente o Reino de Deus (Sl.2,2). Este seria o Messias com a unção do Espírito Santo(Is.11,2) que ao mesmo tempo seria o Rei, o sacerdote e o Profeta (Zc.4,14;Is.61,1). Jesus realizou a esperança messiânica de Israel na sua tríplice função.
Filho Único de Deus (Cat. 441 – 445)
Filho de Deus, no Antigo Testamento, é um título dado aos: anjos (Dt 32,8; Jó 1,6), ao povo da eleição (Ex 4,22; Jr 3,19), aos filhos de Israel (Dt 14,1;Os 2,1) e aos seus reis (2Sm 7,14). Portanto, sua significação é: uma filiação adotiva que estabelece entre Deus e a sua criatura relações de uma intimidade especial.
Esta adoção, significa aceitação da parte de Iahweh, seu amor e proteção particulares, como também responsabilidades e obediência impostas a Israel. No Novo Testamento, o título é atribuído freqüentemente a Jesus. Este título é um meio pelo qual a Igreja primitiva expressava sua fé no caráter absolutamente único de Jesus. O uso do termo reflete a fé desenvolvida da Páscoa e de Pentecostes.
Estas passagens do Novo testamento, confirmam que Jesus usou deste termo em várias situações. Vejamos então:
- Mt 11,27; 21, 37-38 : Ele se designava como o "Filho que conhece o Pai".
- Mt 21, 34-36 : Jesus é diferente do "servos" que Deus enviou anteriormente a seu povo.
- Mt 24,36 : Jesus é superior aos próprios anjos.
- Mt 6,9 : Jesus manda rezar a oração que o Pai ensinou.
- Jo 20,17 : Jesus ressalta a distinção dEle e do Pai.
- Mt 4,3.6; Lc 4,3.9 : o objetivo da tentação de Jesus foi verificar se Ele era o Filho de Deus.
O nome Filho de Deus significa a relação única e eterna de Jesus Cristo com Deus seu Pai: Ele é o Filho Único do Pai (Jo 1,14) é o próprio Deus (Jo 1,1). Crer que Jesus Cristo é o Filho de Deus é necessário para ser cristão (I Jo 2,23).
O uso mais solene do título está na cena do batismo (Mt 3,17;Mc 1,11; Lc 3,22; Jo 1,34) e na transfiguração (Mt 17,5; Mc 9,7; Lc 9,35; 2Pd 1,17). No batismo o título vem do Pai que designa como seu "filho bem-amado". Na Transfiguração a voz do Pai ordenava que lhe desse ouvido como o novo Moisés, e os discípulos se prostraram diante do Mestre.
Somente no mistério pascal que podemos captar o alcance do título "Filho de Deus". É depois da Ressurreição que a filiação divina de Jesus aparece no poder da sua humanidade glorificada: "Estabelecido Filho de Deus com o poder por sua Ressurreição dos mortos" (Rm1,4). Os apóstolos poderão confessar: "Nós vimos a sua glória, glória que Ele tem junto ao Pai como Filho Único, cheio de graça e de verdade" (Jo1,14).
Nosso Senhor (Cat 446 – 451)
Por que dizemos "Nosso Senhor" quando queremos referir-nos ocasionalmente ao Filho encarnado de Deus ?
Vejamos a origem deste costume a partir do povo Judeu : os judeus tinham um nome para o seu Deus – chamavam-no Javé, segundo dizem os estudiosos. Mas cada vez mais se ia enraizando neles a convicção de que essa palavra evocava algo muito sagrado para poder falar em alta voz o nome de Deus. Por isso, sempre que se liam alto, substituíam-na pela palavra "Senhor", que era a palavra adequada para falar com um rei ou outras personalidades importantes; aliás, as mulheres só se dirigiam aos seus esposos dizendo "Senhor". É importante notar que para os judeus do A.T. e para os cristãos do N.T., a palavra "Senhor" se tornou comum e familiar.
Na versão grega dos livros do A.T., o nome inefável com o qual Deus de revelou a Moisés (Ex 3,14), Iahweh, é traduzido por "Kyrios" – "Senhor". Senhor, torna-se desde então o nome mais habitual para designar a própria divindade do Deus de Israel. É neste sentido forte que no N.T. utiliza o título de "Senhor" ao mesmo tempo para o Pai, mas também __ e aí está a novidade _ para Jesus reconhecido assim como o próprio Deus ( I Cor 2,8).
A versão latina apresenta o seguinte significado para a palavra "Senhor" :
"Dominus" ao pé da letra significa "dono de escravos". É essa a primeira imagem que a palavra sugeria aos primeiros cristãos, a de um Senhor que de fato os possuía. O mesmo era atribuído a Jesus. Ele nos possui, comprou-nos e, portanto, pertencemo-lhe. Este é o sentido que devemos compreender ao afirmar que acreditamos que Jesus Cristo é o nosso Senhor. Pertencemos ao Nosso Senhor, quer dizer, o nosso Dono, do mesmo modo que as ovelhas pertencem ao pastor. É por esta razão que trazemos em nós o seu sinal, o batismo. Nosso Senhor pôs em cada um a sua marca o sinal da cruz. Nem você nem eu podemos ver, porque pertence à ordem sobrenatural. É uma marca indelével nunca sai.
A história cristã e a Igreja testemunha a verdade do Senhorio de Jesus desde do princípio, sobre o mundo e sobre a história (Ap 11,15). Esta verdade significa também que o homem não deve submeter a sua liberdade pessoal, de maneira absoluta, a nenhum poder terrestre mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo (Mc 12,17; At 5,29).
"A Igreja crê… que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontra no seu Senhor e Mestre"(GS 10,2). E é por isso que a oração da Igreja peregrina é cheia de confiança e esperança ao proclamar "Maranatha" (vem Senhor ! ) (I Cor 16,22; Ap 22,20).
Concedido pelo poder do Espírito Santo (Cat. 456 – 489)
Não é somente necessário ao cristão acreditar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, como falamos anteriormente , mas também convém crer na Sua Encarnação. Por isso, o Bem-aventurado João Batista nos insinua a Sua Encarnação, quando diz: E o Verbo se fez carne (Jo 1,14).
A missão do Espírito Santo está sempre conjugada e ordenada à do Filho (Jo 16,14 – 15). O Espírito Santo é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e fecundá-la divinamente, ele que é "o Senhor que dá a Vida", fazendo com que ela conceba o Filho Eterno do Pai em uma humanidade proveniente da sua.
Jesus Cristo ao ser concedido como homem no seio de Maria, torna-se o "Cristo", o Filho Único de Deus Pai. Cristo é ungido pelo Espírito Santo (Mt 1,20) e toda a sua vida manifestará, portanto, " como Deus o ungiu com o Espírito e com poder" (At 10,38).
Voltando a afirmação de João : E o verbo se fez carne (Jo 1,14), podemos também lançarmos uma pergunta, que com certeza muitos gostariam de fazê – la: porque o verbo se fez carne?
O verbo se fez carne para:
- salvar-nos reconciliando-nos com Deus (I Jo 4,10 .14; I Jo 3,5)
- que assim conhecêssemos o amor de Deus (I Jo 4,9; Jo 3,16)
- ser nosso modelo de santidade (Mt 11,29; Jo 14,6; Jo 15,12)
- tornar-nos "participantes da natureza divina" (2 Pd 1,4)
A fé na Encarnação verdadeira do Filho de Deus é o sinal distintivo da fé cristã (I Jo 4,2). Esta é a alegre convicção da Igreja desde o seu começo, quando canta "o grande mistério da piedade" : "Ele foi manifestado na carne" (I Tim 3,16). A Encarnação é, portanto, o Mistério da admirável união da natureza divina e da natureza humana na única Pessoa do Verbo.
Jesus Cristo é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, na unidade da sua Pessoa divina: por isso, Ele é o único mediador entre Deus e os homens.
A VIDA DE JESUS (Cat. 512 – 560)
Introdução
O nosso grande modelo de vida é a pessoa de Jesus e a sua própria maneira de viver. Não existe nada que possamos melhorar em seu plano de ação, tudo foi perfeito e progressivo, isto é, sua ação crescia progressivamente rumo a vontade de Deus. Tinha uma metodologia já definida, que devemos conhecer:
a. Sua missão: Salvar o homem todo e a todos os homens (Lc 4,1-19)
b. Sua meta : Instaurar o Reino (Mt 4,23)
c. Seu método: Formar discípulos (Mt 4,18 – 22)
1. Traços de sua via :
Toda a vida de Cristo foi um contínuo ensinamento: seus silêncios, seus milagres, seus gestos, sua oração, seu amor ao homem, sua predileção pelos pequenos e pelos pobres, a aceitação do sacrifício total da Cruz pela redenção do mundo, sua Ressurreição constituem a atualização da sua palavra e o cumprimento da Revelação. Deste modo, pode-se dizer que a vida de Cristo é :
- Revelação do Pai : suas palavras, seu pensamento, sua maneira de ser, tudo revelava a presença do Pai nele (Jo 14,9; Lc 9,35; I Jo 4,9).
- Mistério de Redenção : este mistério está em toda a vida de Cristo, como ação : – na Encarnação, fazendo-se pobre nos enriquece com sua pobreza (2 Cor 8,9); – na sua vida oculta, que pela submissão, serve de reparação para nossa insubmissão (I Cor 15,21); – na sua palavra que purifica os seus ouvintes (Jo 15,3); – nas suas curas, pois olha para nossa fraqueza e leva nossas doenças (Mt 8,17; Is 53,4); – na sua Ressurreição, pela nossa justificação (Rm 4,25).
- mistério de Recapitulação : tudo que Jesus fez, disse e sofreu tinha por objetivo restabelecer o homem à sua vocação primeira que é a santidade (I Tes 4, 1-3).
2. Etapas da vida de Jesus
a. seu nascimento e sua infância : Na manjedoura em Belém os pastores e os Reis adoram o Filho de Deus. Isto significa que nenhum homem pode atingir a Deus e mesmo na terra todos os joelhos se dobram para adora-lo e presta-lhe culto. (Mt 2,1 -12).
Com José e Maria, com seu exemplo de submissão a eles e pelo seu humilde trabalho, Jesus nos dá o exemplo da santidade na vida cotidiana na família e no trabalho (Lc 2, 41 -51).
b. a vida pública e o seu batismo : A vida pública de Jesus tem início com o seu Batismo no rio Jordão (Lc 3,23). O Batismo de Jesus é, da parte dele, aceitação e a inauguração da sua missão de Servo sofredor. No Batismo de Jesus, "abriram-se os Céus" (Mt 3,16),que o pecado de Adão havia fechado; e as águas santificadas pela presença do Espírito Santo.
c. A tentação no deserto : mostra Jesus, Messias humilde que triunfa sobre Satanás pela total adesão ao desígnio de salvação querido pelo Pai (Mt 4,1 -11).
d. A Igreja : o Reino dos Céus foi inaugurado na terra por Cristo. "Manifesta-se lucidamente aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo. A Igreja é o germe e o começo deste Reino. As suas chaves são confiada a Pedro (Mt 16,18).
e. A Transfiguração : tem por finalidade fortificar a fé dos apóstolos em vista da Paixão : a subida à "elevada montanha" prepara a subida no Calvário, Cristo, cabeça da Igreja, manifesta o que seu corpo contém e irradia nos sacramentos : " a esperança da glória" (Cl 1,27).
f. A entrada em Jerusalém : manifesta a vinda do Reino que o Rei-Messias, acolhido na sua cidade pelas crianças e pelos humildes de coração, vai realizar através da Páscoa de sua Morte e Ressurreição (Lc 19,29 – 44).
Nasceu da Virgem Maria
MARIA E OS DOGMAS (Cat. 484 – 507)
Ao dizer o seu "Fiat" (faça-se) na anunciação é dado por Maria o seu consentimento ao mistério da Encarnação, ela ali já colabora para toda a obra que seu filho deverá realizar. Torna-se assim a Mãe em todos os domínios em que Ele é Salvador e Cabeça do Corpo Místico.

Seguem abaixo as quatro Verdades de Fé referentes a Virgem Maria:
A maternidade de Maria (Lc 1,35)
A anunciação a Maria inaugura a "plenitude dos tempos" (Gl 4,4), isto é, o cumprimento das promessas.
Maria é convidada a conceber aquele que habitará "corporalmente a plenitude da divindade" (Cl 2,9). O Espírito Santo é enviado para santificar o seio da virgem Maria e fecundá-la livremente, ele que é o "Senhor que dá a vida".
Quis o Pai das misericórdias que a Encarnação fosse precedida pela aceitação daquela que era predestinada a ser Mãe de seu Filho, para que assim "como uma mulher contribuiu para a morte, uma mulher também contribuísse para a vida". (LG 56, Is 7,10)
Este dogma da maternidade mostra a dignidade única de Maria. Ninguém recebeu, nem receberá semelhante dom. A ninguém foi confiada uma missão tão transcendente e nenhum redimido recebeu Deus uma resposta mais generosa e total. Neste momento, Maria entrega-se totalmente a pessoa e a obra de seu Filho, para servir na dependência dEle e com Ele, pela graça de Deus, ao plano de salvação.

Diz Santo Irineu : " Obedecendo, se fez causa de salvação. tanto para si como para todo o gênero humano".
Segundo o Dogma da maternidade divina, Maria é o lugar histórico no qual Deus se fez carne para habitar entre nós. Maria é sua verdadeira mãe, tanto no aspecto biológico como psicológico, isto é, ela é mãe não apenas da carne humana de Jesus, mas de toda a realidade de seu Filho, que tem duas naturezas (humana e divina), mas uma só pessoa (divina). Cristo é gestado em seu seio, dado à luz, alimentado e cuidado. Como toda criatura, é dependência total de sua mãe.
O Concílio de Calcedônia, em 451, afirma : " Todos ensinamos unanimemente que se deve confessar a um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo,… gerado do Pai antes dos séculos quanto à divindade, e o mesmo, nos últimos dias, por nós e por nossa salvação, gerado da Virgem Maria, mãe de Deus quanto à humanidade".

A Imaculada Conceição
Maria é aquela em quem tudo foi antecipado e realizado em plenitude. Maria foi enriquecida por Deus com dons para tamanha função.(LG 56).
A declaração dogmática afirma que Maria foi preservada do pecado original desde o início de sua existência. Por uma graça especial de Deus, em virtude dos méritos de Cristo, Maria é a mulher pré-redimida. Em nenhum momento de sua vida é propriedade do demônio. Está rodeada do amor fiel de Deus, desde o começo de sua existência.
Ao privilégio de não ser manchada pelo pecado original, traz consigo de imediato, uma plenitude de graça, como anunciou o anjo ao saudá-la : Ave cheia de graça. Traz também consigo a plenitude da caridade, uma invasão do Espírito Santo na alma. Deste modo, convém esclarecer dois pontos sobre a Plenitude de graças :
a. A plenitude de graças em Maria é própria de uma criatura, e não é como a de Jesus, que é Deus-Filho. Em Jesus a plenitude está completa desde sempre. Em Maria a plenitude é limitada e crescente.
b. A plenitude de graças é uma realidade quantitativa e qualitativa, porque quanto maior, mais possibilita a união com Deus e a introdução na sua vida íntima.
Esse dogma possui uma significação eclesial. Se a Igreja é a comunidade que não só anuncia a salvação, mas que a opera realmente no meio do mundo, pode mostrar segurança, em um de seus membros, a Virgem Imaculada, o resultado acabado dessa obra. Ali se encontra o modelo de homem que a graça de Cristo produz. Maria é a primícia da humanidade redimida.

A Virgindade de Maria.
O dogma não se refere a pormenores do nascimento de Jesus e suas conseqüências físicas em Maria. Afirma positivamente que isso aconteceu sem que ela perdesse a integridade corporal, sinal externo de algo mais profundo : sua total consagração ao Senhor que opera maravilhas.
A virgindade de Maria manifesta a iniciativa absoluta de Deus na Encarnação. Jesus, o Novo Adão, inaugura pela sua concepção virginal o novo nascimento dos filhos de adoção no Espírito Santo pela fé (Lc 1,34).
Existem dois aspectos a serem apresentados a respeito da virgindade de Maria:
- Maria é virgem porque sua virgindade é o sinal da sua fé. É ela que lhe concede Tornar-se a Mãe do Salvador.
- Maria é ao mesmo tempo Virgem e Mãe por ser a figura e a mais perfeita realização da Igreja.
Assim, quando Deus fez de Maria a Mãe de Jesus, por pura graça, tornou Maria de certo modo participante de sua fecundidade em relação ao Filho. Ela tornou-se assim, participante também de sua relação com aqueles que se tornam filhos no Filho, ou seja, os Batizados , a Igreja.

A Assunção de Maria
Em 1o de novembro de 1950, Pio XII define solenemente do dogma : " Proclamamos e definimos ser dogma divinamente revelado: Que a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, cumprindo o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial".
O dogma da Assunção não se centra no final da vida de Maria, mas em seu novo modo de existência. Agora ela existe em toda a sua realidade humana em corpo e alma num estado de glorificação plena, antecipando assim aquela situação dos justos depois da ressurreição final. O mais específico do dogma é, por conseguinte, a glorificação corporal antecipada.
A Igreja declara que Maria participou tão íntima e profundamente da obra de redenção, que lhe foi concedida, desde agora, aquela ressurreição final da carne prometida aos justos. O que para nós é objeto de esperança, para ela é realidade experienciada.
A assunção de Maria é sinal de que a graça não transforma somente o espírito, mas todo o ser humano.
Foi Crucificado, morto e Sepultado
O sofrimento e a morte de Jesus para nossa vida é uma grande vitória e devemos perceber que "nenhum sofrimento presente pode nos tirar a manifestação da glória de Deus", pois este acontecimento deve nos levar a ter sempre "nossas lâmpadas acesas a espera do nosso noivo" (Mt 25,1 – 13).

Introdução :
Como é necessário aos cristãos acreditarem na Encarnação do Filho de Deus, assim também é necessário acreditarem na sua Paixão e Morte, porque, como disse S. Gregório, em nada nos teria sido útil o seu nascimento, se não favorecesse à Redenção. Esta verdade é tão extraordinária, que a nossa inteligência pode apenas apreendê-la, mas, de modo algum a inteligência e nem mesmo os nossos sentidos, poderão descobrir ou experimentá-la, assim é confirmado pelo Profeta Habacuc : Será feita uma obra em vossos dias que ninguém acreditará quando for narrada (Hab. 1,5).
A graça e o amor de Deus para conosco são tão grandes, que Ele faz por nós mais do que podemos compreender.
SOFRIMENTO E MORTE (Cat. 571 – 618)
Este é o início do sofrimento de Jesus: A agonia no Getsêmani . Jesus aceita o cálice da Nova Aliança que Ele mesmo antecipa na Ceia com os apóstolos (Lc 22,20) e que no Getsêmani recebe das mãos do Pai, tornando-se obediente até a morte (Mt 26,42; Fl 2,8). Jesus reconhece que a vontade do Pai deve ser feita, pois sua morte será redentora (I Pd 2,24).
E podemos perguntar : que necessidade havia o Verbo de Deus padecer por nós ? Por duas razões. Uma porque foi remédio para os nossos pecados, todos os males que contraímos pelo pecado, encontramos o remédio na Paixão de Cristo.; foi um exemplo para nossas ações.
1. A morte redentora de Jesus.
A morte de Jesus tem sua justificativa nos seguintes aspectos:

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